Como escritórios de advocacia podem praticar a Responsabilidade Social Empresarial

As empresas estão tendo que se adequar às transformações pelas quais a sociedade vem passando, e juntamente com as questões sociais sendo levantadas mais frequentemente, essas organizações buscam acompanhar o ritmo.

Responsabilidade Social e ISO 26000

Assim como qualquer organização que deseja praticar a Responsabilidade Social Empresarial em seus meios e suas relações com stakeholders (aqueles que afetam e são afetados pela empresa), os escritórios de advocacia também podem adotar tais práticas a fim de atuarem como agentes de transformação.

Uma das principais maneiras de adotá-las é agir com base na ISO 26000, a Norma Internacional de Responsabilidade Social Empresarial. De uso voluntário, a norma contém diretrizes para empresas incorporarem considerações socioambientais em seus processos, bem como a responsabilização pelos impactos de suas decisões.

Ao mencionar os processos internos e externos da empresa, integramos os que envolvem seus stakeholders, desde os colaboradores até a comunidade. Para ser sustentável, uma análise e aperfeiçoamento dessas relações deve ser feita, a fim de proporcionar melhores práticas de RSE e influenciar sua cadeia de valor.

Diante disso, vemos que os escritórios de advocacia podem atuar contribuindo para a aplicação da justiça e prestação de importantes serviços de função social, também com seus stakeholders:

Público interno

Ao exercer ações de RSE, o ponto de partida deve ser dentro dos escritórios de advocacias, com os gestores e colaboradores. Começando pela alta gestão, é necessário criar uma conscientização sobre as práticas a serem adotadas.

Reconhecimento e respeito; valorização das competências; investir no desenvolvimento pessoal e profissional; proporcionar canais de comunicação efetivos são algumas ações que resultarão em melhores vivências entre os funcionários, engajando-os e gerando credibilidade para as demais partes interessadas.

 Como já dito, a alta gestão não deve ficar de fora desse processo e, por isso, suas práticas devem refletir os princípios da RSE, como tomadas de decisão, políticas e normas.

Governança

Esses princípios precisam também incorporar a missão, visão e valores do escritório, a fim de que os outros públicos de interesse tomem conhecimento do posicionamento da empresa.

Junto ao seu público externo, alguns pontos requerem que sejam levados em consideração. Ao se comunicar com seus clientes, os escritórios precisam trabalhar com informações factuais, práticas contratuais justas e seus serviços bem compreendidos por esse público.

Clientes

Serviços de atendimento e suporte também estão dentro das práticas aconselháveis pela ISO 26000 quando se refere à relação empresa-consumidor, sendo isso feito através de uma comunicação acessível e precisa. Os escritórios também podem estimular a conscientização de seus clientes ou consumidores, promovendo o ensino dos hábitos socialmente responsáveis.

Ao se falar em prevenção do meio ambiente, os profissionais do Direito podem utilizar seu poder de influência para incentivar seus stakeholders e também outras organizações a repensarem os impactos que suas ações têm no âmbito ambiental.

Meio ambiente

Algumas das práticas recomendadas nesse quesito são a prevenção da poluição e o uso sustentável de recursos, visando mitigar os impactos negativos na natureza e seus recursos.

Comunidade, aqui, seria a área de habitação ou trabalho das pessoas onde o escritório está localizado ou os grupos que são diretamente impactados por suas atividades.

Comunidade

A empresa deve identificar e conhecer essas comunidades, e quais são esses impactos, com a intenção de ser mais assertiva na minimização e contribuição de um melhor desenvolvimento sustentável.

A Norma ISO 26000 traz questões centrais para basear projetos de envolvimento com comunidades, tais como: educação, cultura, geração de emprego, acesso à tecnologia, geração de renda, saúde e investimento social. Portanto, a prática de advocacia pro bono (para o bem) e a conscientização da comunidade sobre seus direitos também é importante.

Com relação ao Governo e a Sociedade, a área de atuação de escritórios de advocacia cria a possibilidade dessas organizações praticarem a Advocacy.

Governo e Sociedade

Prática comum quando o tema é políticas públicas, a Advocacy configura-se como ações de pessoas ou grupos que buscam solucionar problemas ou defesa de direitos, influenciando tomadores de decisões e setores ou personagens influentes na sociedade. Sendo assim, advocacias utilizam-se de estratégias para pressionar o governo para que normas benéficas à sociedade entrem em vigor.

Dentre as práticas de advocacy que apoiam a RSE, podemos citar o monitoramento de projetos de lei, interação com os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, assistência a mobilizações sociais, além de incentivar debates e estudos que englobam a temática social.

Escritórios que adotam a RSE

No Brasil, muitos escritórios aplicam atitudes que integram a norma ISO 26000. O anuárioAnálise Advocacia, o maior levantamento jurídico brasileiro, traz rankings das advocacias do país, como as maiores, as mais citadas, admiradas, entre outros.

Ao analisar as estatísticas do anuário, é possível identificar escritórios destacados também por praticarem a RSE e a advocacia pro bono. Alguns deles são:

 

As empresas estão tendo que se adequar às transformações pelas quais a sociedade vem passando, e juntamente com as questões sociais sendo levantadas mais frequentemente, essas organizações buscam acompanhar o ritmo.

Conclusão

Diante disso, conclui-se que os escritórios ou sociedades de advocacia detêm grande potencial para atuar de maneira socialmente responsável. Ao considerar sua cadeia de valor, os benefícios sociais serão evidentes não apenas internamente, mas da mesma forma em todas as partes que se envolvem com a organização.

Thomas Cosin