Capitalismo Consciente: tendência que as empresas deveriam adotar

É comum vermos hoje o capitalismo associado apenas à busca por lucro e resultados que beneficiem seus diretores. Nota-se que diversos aspectos do capitalismo promovem crescimento profissional e pessoal, além de condições estáveis para muitas pessoas, ao mesmo tempo em que uma grande parcela também sai prejudicada por esse sistema.

Por isso, há quem diga que as palavras capitalismo e consciente juntos em uma mesma frase não faz sentido. No entanto, o Capitalismo Consciente mostra que é possível e muitas empresas já vêm comprovando isso na prática.

O que é e de onde veio?

Capitalismo Consciente é uma prática adotada por empresas que acreditam que podem usar sua força para algo além de gerar lucro: contribuir com o desenvolvimento da sociedade e o bem estar social.

Essas práticas, que não são recentes, foram documentadas em um estudo de Raj Sisodia, David B. Wolfe e Jagdish N. Sheth, dando origem ao livro com título em português “Empresas Humanizadas: Pessoas, Propósito e Performance”.

As empresas que aderem ao Capitalismo Consciente buscam servir, alinhar e integrar os interesses de seus stakeholders, indo desde a equipe de colaboradores, passando por clientes, fornecedores, acionistas, entre outros, até mesmo à comunidade em que está inserida.

O foco dessas empresas não está mais apenas voltado ao lucro, mas ao serem conscientes, procuram proporcionar crescimento e beneficiar todo esse quadro de grupos de interesse que envolvem a organização. Ao se tornarem conscientes, estão exercitando sua percepção a respeito de suas ações e como elas afetam uma cadeia de pessoas e outras empresas.

Esse movimento possui 4 pilares que são fundamentais para que as empresas possam aderir de modo integral e ativo. Vamos ver quais são eles.

Pilares

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1. Um Propósito Maior

Todos buscamos um propósito e uma razão naquilo que fazemos e investimos, e em uma empresa isso não é diferente. As pessoas ali dentro querem mais do que seu salário no fim do mês. Querem também ver como suas ações impactam positivamente algo ou alguém.

O propósito irá guiar e embasar as ações de uma Empresa Consciente. Ao focar nesse propósito, a empresa passa a inspirar e engajar sua cadeia de stakeholders. Com um propósito alinhado, colaboradores se tornarão engajados, clientes fidelizados, acionistas felizes, o que contribui para um crescimento maior.

2. Orientação dos stakeholders

Assim como mencionado, é importante inspirar os grupos de interesse de uma empresa. Criar valor para seus stakeholders gerará uma cadeia de influência entre eles.

Pense assim: como uma Empresa Consciente, se você cultivar um relacionamento saudável entre organização e colaboradores, eles se sentirão parte da empresa e comprarão o propósito da marca, contribuindo para uma melhor experiência dos clientes, o que satisfará o acionista, e assim por diante.

Não dá para esperar bons resultados esquecendo das partes que contribuem diretamente para alcançá-los.

3. Cultura Consciente

A cultura de uma empresa irá permear seus valores, missão, princípios e ações e é o que irá fortalecer sua marca no mercado.

Não apenas externa mas internamente, uma cultura definida irá integrar e levar a equipe e uma só direção. Pessoas desalinhadas com a missão da sua empresa podem não utilizar todo seu potencial para o crescimento da organização.

A empresa que cultiva uma cultura autêntica, profunda e rica, agrega para si vantagem competitiva frente aos seus concorrentes, construindo uma imagem positiva e atrativa para os interesses dos stakeholders. Tudo isso levando a um crescimento sustentável.

4. Liderança Consciente

Para guiar sua empresa ao crescimento, ser um bom líder é essencial. Se sua liderança não é bem exercida, isso será refletido na imagem da marca.

Como uma pessoa de influência dentro da organização, o líder consciente deve estar alinhado ao propósito da empresa em que trabalha para engajar sua equipe no mesmo espírito e cultura organizacional.

Mais do que coordenar um time, o líder deve criar um ambiente de colaboração, a fim de que toda a empresa cresça junto, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional de cada colaborador, a fim de gerar valor para os demais stakeholders. Uma visão sistêmica da empresa por parte do líder faz a diferença na caminhada para que a empresa atue conscientemente.

John Mackey, co-fundador da Whole Foods e autor do livro Conscious Capitalism: Liberating the Heroic Spirit of Business, diz que os líderes que querem abraçar o Capitalismo Consciente devem iniciar esse processo com o propósito, questionando-se a respeito da existência da empresa, por que existe e sua importância, e que essa discussão deve abranger os stakeholders, pois isso cria uma cultura consciente que reconhece a interdependência dessas partes interessadas e que apoia parcerias em que todos saem beneficiados.

A própria Whole Foods é uma empresa que aposta no movimento, já que Mackey, seu co-fundador, acredita na prática. A empresa, por exemplo, comercializa apenas produtos orgânicos e foca em adquiri-los através de agricultores locais, além de chamar a atenção com seu quadro de colaboradores gentis. Toda uma cadeia de valor que agrega ainda mais valor à empresa.

Conclusão

Você sabia que 66% das pessoas estão dispostas a pagar mais caro por um produto que venha de uma empresa sustentável? E 76% dos millennials (ou geração Y) levam em consideração o comprometimento social e ambiental das empresas quando procuram por um emprego?

Com mais pessoas buscando trabalhar em empresas com propósito e as novas tecnologias possibilitando melhores processos de produção, as empresas precisam se adaptar e deixar de pensar apenas no lucro.

O Capitalismo Consciente ajuda a refutar a ideia de que no capitalismo existe apenas o lado que prejudica, ao beneficiar organizações, clientes, funcionários, meio ambiente, impactando a sociedade em geral, integrando-os em prol de um mundo melhor.

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Thomas Cosin